16 de março de 2008

Devaneios de um estudante de Arquitectura

Decidi ir ao arquivo da Superinteressante e ler um texto qualquer que me interessasse, mas do ano em que nasci. E deparei-me com o seguinte título: E se... os nazistas tivessem ganho a guerra?

Seguindo dois historiadores ingleses, Stephen Ambrose e John Keegan, vemos que o primeiro diz que a Alemanha perdeu a guerra devido a um metereologista, J.M. Stagg, que previu que o céu iria descobrir na tarde do Dia D. Com essa precisão, correcta, os Aliados desembarcaram um dia antes do previsto. Ambrose diz que se assim não fosse, aquando do desembarque, um dia depois, as tropas estariam enjoadas e não haveria visibilidade suficiente para a largada dos para-quedistas, sendo que a libertação da costa francesa teria sido um fracasso. Já Keegan diz que a derrota de Hitler se deu em 1941, ao declarar guerra à Rússia, sendo, mais tarde, derrotado pelo Inverno.

E isto leva-me a algo em que tenho pensado muito nos últimos meses: qual é o destino da humanidade? Uns dirão que sou louco em pensar nisto, outros que é um desperdício de tempo, outros mesmo que a humanidade não tem destino e que apenas vivemos para sermos felizes ou outras desculpas tais. Eu acredito que a humanidade tem um objectivo, e que esse objectivo é chegar a algo que se assemelhe ao Nirvana (não vou entrar em grande pormenor neste aspecto, até porque é algo que ainda não sei explicar bem). Este objectivo é, então, a estadia final de toda a raça humana e que, a meu ver, coincidirá com o seu fim (uma vez que o objectivo final é atingido, a sua existência não faz mais sentido, chegando, assim, ao seu fim).

Isto liga-se à introdução sobre a derrota das tropas do Eixo na medida em que, pelo que nos dizem alguns historiadores, foi por mero acaso que as coisas se sucederam da forma que hoje conhecemos. Quem me conhece, sabe que não acredito em Deus, pelo menos não da forma como é descrito em grande parte das religiões. No entanto, quem me conhece bem, sabe também que eu acredito que existe algo no Universo que está para além daquilo que vemos. Algo metafísico, que nos rege, ou guia, e que se apresenta em coisas como o amor, a beleza, a sabedoria e em todas as coisas pelas quais vale a pena viver (e lá se vão as hipóteses de escrever algo frio, solto e sem lamechices). Eu acredito que existe algo que liga todos os seres humanos ao mundo e a tudo o que o rodeia, bem como todos os seres humanos, animais e inanimados entre si, e que é essa Coisa que determina, por assim dizer, o objectivo último da nossa civilização.

Voltando ao tal objectivo, acredito, como muitos, que a história é, não apenas uma linha ou uma espiral, mas uma mistura de ambas. Diria uma linha que, andando sempre da esquerda para a direita (a história é contínua e não reversível, como numa espiral), tem alguns altos e baixos, mas onde os altos são cada vez mais altos e os baixos, bom, esses cada vez mais incertos. Porque, apesar de acreditar que este objectivo existe, também acredito que ele possa não vir a ser alcançado, significando que a humanidade se auto-destruiría num dos seus baixos, entretanto. E este fim advém, quanto a mim, de certas liberdades que o ser humano, por vezes, toma, acreditando que é dono e senhor de tudo o que o rodeia, como uma pequena criança ingénua que não mede as consequências dos seus actos e brincadeiras. Porque eu acho que, hoje em dia, estamos mais baixo que desde há muito tempo, e ninguém ou quase ninguém consegue ver (ou não quer ver) o rumo absolutamente petrificante que tudo isto leva.

Acredito (na minha enorme ignorância histórica) que a sociedade Grega foi a que, até hoje, esteve mais próximo de atingir essa espécie de Nirvana. Contudo, e como nós sabemos, não era perfeita e os seus erros levaram à sua destruição. Esta destruição pode ser lida como a dialética de que fala Hegel, sublinhando que a guerra é uma necessidade para a evolução. Acredito, então, que a raça humana precisou de regredir, auto-destruindo-se, para remendar e corrigir problemas e imperfeições (tais como os direitos das mulheres, a libertação dos escravos, a igualdade e vários outros factores que temos vindo a adquirir ao longo da história).

No fim de tudo isto, acredito que com as revoluções francesa e industrial se deram dois grandes passos para essa evolução tão ardentemente desejada (pelo menos por mim). Acredito, ainda, com alguma amargura, que o decorrer de ambas foram guiadas pelas pessoas erradas, muitas vezes da forma mais errada possível (basta ver a vitória de Estaline sobre Trotsky, certas facetas do Maoísmo e dos Fascismos, bem como a sucessão de erros cometidos pelos Norte-Americanos, os problemas morais que hoje nos assolam, a falta de respeito pelo nosso semelhante, a violência irracional de quem a pratica porque a sua vida não tem qualquer outro significado, o capitalismo, o materialismo, a adoração das novas tenologias, etc). Acredito, também, que, como aqueles que me conhecem bem sabem, a resposta (ou a consequência) para este problema passará por certos ensinamentos socialistas e, mais tarde, quando a humanidade estiver preparada, comunistas (nos quais também não vou entrar em pormenor).

Mas isto sou eu. E que sei eu de tudo isto? Nada. São apenas os devaneios de um estudante de Arquitectura.

1 comentário:

  1. Procurando exatamente esse artigo da Superinteressante cheguei ao seu texto. Muito bom, compartilho de algumas das idéias.
    É bom saber que existem aqueles que pensam
    (Aqui no Brasil são raros)

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