30 de setembro de 2008

Palavras

Nunca as palavras que apontam ao coração fizeram tanto efeito em mim, como quando ditas por Ela. Não sei se é por serem Dela, ou porque eu estou diferente. Provavelmente uma mistura das duas coisas. Porque, se eu não fosse diferente do que era, nunca os meus sentimentos poderiam ressoar nos Seus, e as Suas palavras não poderiam fazer tanto efeito em mim como fazem.

29 de setembro de 2008

Oxalá - Madredeus

Oxalá, me passe a dôr de cabeça, oxalá
Oxalá, o passo não me esmoreça

Oxalá, o Carnaval aconteça, oxalá,
Oxalá, o povo nonca se esqueça

Oxalá, eu não ande sem cuidado,
Oxalá eu não passe um mau bocado

Oxalá, eu não faça tudo à pressa,
Oxalá, meu Futuro aconteça

Oxalá, que a vida me corra bem, oxalá
Oxalá, que a tua vida também

Oxalá, o Carnaval aconteça, oxalá
Oxalá, o povo nunca se esqueça

Oxalá, o tempo passe, hora a hora,
Oxalá, que ninguém se vá embora,
Oxalá, se aproxime o Carnaval,
Oxalá, tudo corra, menos mal

28 de setembro de 2008

Foreign Thoughts III

Dia 27 de Setembro de 2008 - 23:58



É verdade aquilo que Lhe disse. Sobre, aqui, não ser a mesma pessoa.

Ainda assim, talvez não seja inteiramente verdade. Os meus sentimentos são os mesmos, ou pelo menos aqueles que julgava vir a sentir. E quando me olho ao espelho ainda distingo, pelo menos, os mesmos olhos dos últimos 3 anos. No entanto, não me comporto da mesma maneira, nem com a mesma arte. Não consigo falar com pessoas. Não consigo tão-pouco falar. Não consigo sequer estar com elas. Não consigo sair desta Torre que construí em Londres. Até a minha sensibilidade se alterou. Se Vocês agora aqui estivessem não me iriam reconhecer. Mas, se Vocês aqui estivessem, o meu interior tornear-se-ia, revoltando o exterior e tudo o que o rodeia, e eu voltaria a ser o que, para Vocês, sempre fui. Porque basta-me a ideia de Vocês, e às vezes apenas a ideia Dela, para que, no meu cerne, eu me retorne a mim. Mas não o sou, para já. Não o serei até, finalmente, me encontrar devolvido ao sítio onde pertenço. Este não é o meu lugar. Eu já sabia que não era. Mas tinha de ver pelos meus olhos. Senti-lo nas minhas mãos. E agora que o vi, a Casa ganha todo um outro sentido, e eu ganho todo um outro sentimento de pertença. Porque eu sei o meu lugar. Ou, pelo menos, sei onde sou mais eu. E, até um certo grau, consigo conjecturar onde isso pode acontecer, e onde e como deverá acontecer. Foi isso que ganhei, até agora. E já é meio caminho andado.

15 de setembro de 2008

505 - Arctic Monkeys

I'm going back to 505
If it's a 7 hour flight tour a 45 minute drive
In my imagination you're waiting lying on your side
With your hands between your thighs

Stop and wait a sec'
Oh when you look at me like that my darling
What did you expect
I'll probably still adore you with your hands around my neck
Or I did last time I checked

Not shy of a spark
The knife twists at the thought that I should fall short of the mark
Frightened by the bite though its no harsher than the bark
Middle of adventure, such a perfect place to start

I'm going back to 505
If it's a 7 hour flight tour a 45 minute drive
In my imagination you're waiting lying on your side
With your hands between your thighs

But I crumble completely when you cry
It seems like once again you've had to greet me with goodbye
I'm always just about to go and spoil a surprise
Take my hands off of your eyes too soon

I'm going back to 505
If it's a 7 hour flight tour a 45 minute drive
In my imagination you're waiting lying on your side
With your hands between your thighs and a smile!

Foreign thoughts II

Dia 11 de Setembro de 2008


Ando de um lado para o outro no aeroporto de Riga. Uns partem, uns regressam. Eu... nem uma coisa nem outra. Viajo entre dois pontos no mapa e nenhum deles me é nada.

No meio de tudo isto, apenas tenho uma coisa na cabeça. Um desejo: que este voo não me leve para Estocolmo, mas de volta a Casa, de volta a Portugal, e para os braços Dela. Não quero mais. Não aguento mais. Não me vejo a andar para a frente senão voltando para trás. Não tenho nada a aprender aqui senão a reprimir sentimentos. E isso é algo que eu não quero aprender. Mas, se aqui estou, se é este o meu caminho, é o que tenho de fazer. Por mim. Por Ela.

Não quero. Não aguento.

Aquilo porque realmente anseio é chegar à Sua beira, tirar a roupa encharcada e aquecer-me contra a sua pele. Sosseguem Vozes da Inquietação. Ainda falta, mas é tudo uma questão de tempo. E vontade.

10 de setembro de 2008

My Baby Wasn't There

My baby wasn't there
When I went to test Her love
But She'll be there today
I pray do G-d above

I'll sneak a look or two
And if I see Her melt
I'll know that it was true
This feeling that I felt

My heart is like a thorn
Hers is like a Tree
My heart is dry and torn
Hers a Canopy

I've been up all night
And all I've got is this
I know that it's not right
But nothing really is

She's there at Her Machine
I'll tiptoe down the aisle
And if it's ment to be
She'll great me with a Smile

Then I'll be so happy
I'll live another day
I'll thank Her for Her Charity
And then I'll limp away

Leonard Cohen, Book of Longing

5 de setembro de 2008

Body of Loneliness

She entered my foot with her foot
and she entered my waist with her snow.
She entered my heart saying,
"Yes, that's right."
And so the Body of Loneliness
was covered from without,
and from within
the Body of Loneliness was embraced.
Now every time I draw a breath
she whispers to my breathlessness,
"Yes, my love, that's right, that's right."

Leonard Cohen, Book of Longing

3 de setembro de 2008

The Centre

When I am at the centre
of my unrequited love
I cannot hold it as an object
It has no sharp edges
to torture anyone
I breathe the fragrance
of the longing
and the longing
has no proprietor
"O my love" embraces
the great wide sky
as the night picks through
the constellations
lifting necklace
after dripping necklace
for the delight
of Leonard's true beloved
"O my love" cries out
from every pore of snow
and the forest answers
from a great height:
"O my love"
And one heart appears
and one heart dissolves
and they clasp in the place
where I am held up
in the storm
And I walk to you
on the waves of desire
walk across the distance
with something new to tell you
about your beauty
your good legs
and your relentless absence

Leonard Cohen, Book of longing

The Sweetest Little Song

You go your way
I'll go your way too.

Leonard Cohen, Book of longing

Foreign thoughts I

Contraproducente e imprudentemente, aquando da minha chegada a Este Novo Mundo, a única coisa que elucida os meus passos, que ilustra os meus pensamentos, que controla o meu fôlego, que norteia os meus sentidos, que é de todo real quando fecho os olhos, é aquilo que deixei para trás.

Daqui de cima

Com um livro do Cohen (para Ela) de um lado, uma infinidade nublada do outro, e muitos pés acima da Terra, a caminho sabe-se lá do quê, só quero voltar atrás. Não se trata de voltar para trás. Não me aborrece o caminho que levo, e pelo qual me deixo levar. O que me aflige é que Ela não se encontre nele, ou pelo menos não num futuro divisível. Ando impaciente, agitado, estremeço por tudo ou por nada, longe da calma que Ela me dedica num beijo, num ajusto, num sinal, num sorriso. Daqui de cima, entrego-me à tarefa de fantasiar por onde estará. Não o que faz, não o que diz, não o que sonha. Só quero saber que está além, presente, ainda comigo, sempre comigo, à distância de uma carta, um voo e um toque.

Os dados estão lançados. As tecedeiras fiam arduamente os enlaces e desenlaces do que por aqui vai correr. Só podemos ansiar que se encontrem de bom espírito.