"Devemos aspirar à criação de um tipo de homem que não é humano, do qual terão sido eliminadas a dor moral, a bondade e o amor, as paixões que sozinhas podem corromper a inexaustível energia vital"
Filippo Tommaso Marinetti, anos 20
Citando outro autor, Oscar Niemeyer, "Como se diz bobagem com ar de coisa séria..."
Que acontecerá à energia vital sem as paixões que a corrompem? É como tentar fazer o relógio trabalhar sem que ele gaste a pilha.
22 de maio de 2008
E no entanto...
Nada. Nada de diferente. As mesmas coisas, a mesma chuva. O mesmo cenário. As mesmas músicas, as mesmas casas, os mesmo livros. E no entanto...
Os sonhos não são os mesmos. Os olhares mudam. A mente desiquilibra-se, recupera e foge. De repente, algo vem e muda tudo. Um vislumbre. Pode ser isto. A beleza atrai-me, puxa-me, diz-me "isto é o que tu precisas". Mas não é. Nunca é. E depois vem outro, e outro. E nunca são. Porque o que eu quero não existe. Qual é o preço a pagar pelos nossos princípios? Até onde me levarão eles? Para uma vida arruinada e infrutífera? Ou serão eles a única coisa que me manterá vivo, melhor, a razão pela qual me mantenho acordado, à tona? E de que preciso eu, pergunto-me? De facto, perguntamo-nos todos. Mas isto a mim, especificamente, preocupa-me. Sempre disse que sabia o que queria. Nas pessoas, no que estudo, no que faço. E no entanto, nunca é isso. Digo sempre que os meus princípios não são apenas caprichos, e que de facto trabalho por algo melhor. Que dedicaria a minha vida a isso. Que coisa absurda.
Dedicar a vida a princípios... Ridículo! Que diferença posso eu fazer? Se nem sequer eu sei o que quero para a minha vida, como posso desenhar a dos outros? E quem me dá esse direito? Bom, na verdade há sempre alguém que tem de o fazer e todos nós achamos que devemos ser nós porque, na verdade, não temos confiança em ninguém para a deixarmos fazê-lo. Mas, como saber que é o que pensamos que está correcto? Quem me diz que daqui a 200 anos não se chegará à conclusão de que os Futuristas e o Movimento Moderno, ou o G. W. Bush, o Hitler e o Estaline, foram a melhor coisa que podia ter acontecido à humanidade? E como explicar à humanidade o que é melhor para ela? Ela só parece interessar-se pelo seu bem estar imediato, pelos próximos 5 minutos. Não interessam os filhos e muito menos os netos, não interessam o vizinho e os compatriotas.
E de facto, não interessa tudo o que transcender os próximos 5 minutos. Que interessa a política? Ela não faz nada que se veja? E a Arte? Enquanto não me der de comer, não me diz respeito. O que interessa é aquilo que eu possa discutir em 5 minutos, acabar o assunto e entrar num novo. Tudo o que demorar mais que isso não interessa, dá muito trabalho... Porque de facto, aquilo que hoje em dia se pensa é que o que existe é o que se vê, e tudo o que demore mais de 5 minutos já não conseguimos ver, não conseguimos ligar uma consequência àquilo que a despoletou.
A aceleração do tempo... Pode ter começado (ou isso terá, porventura, sido um resultado dessa mesma aceleração) quando os futuristas proclamam que a Arte deve passar a representar não a estaticidade de um momento no mundo dinâmico, mas o dinamismo em si mesmo. Que absurdo!
Por aqui vê-se rapidamente o declínio em que se caíu. A Arte é, de facto, algo que se mantém em suspenso no tempo e que, através da sua beleza e atractividade, nos puxa e nos pára também, nos protege da passagem do tempo e, melhor ainda, nos regenera, nos deixa jovens e cheios de vitalidade, mesmo que a sua mensagem seja de absoluta tristeza. Ela deixa-nos vivos! Porque a Arte nos molda e nos prepara, nos transforma e nos ensina. E se a Arte (ou o que lemos como Arte) é movimento, então tudo é movimento. As mensagens rápidas, o "comer" de letras na comunicação, as paixões de meia-dúzia de dias... Porque, se encurtamos a nossa fala, metade do que queremos dizer perde-se, ainda que o significado seja o mesmo. Porque se encurtamos relacionamentos, o que de melhor existe neles perde-se também, ainda que a paixão e os sentimentos tenham a mesma intensidade.
Se, quando olhamos para um quadro futurista, percebemos perfeitamente o seu movimento, vemos de facto uma menina a correr, também vemos o seu fim, o sítio onde termina a acção. E quando chegamos à outra ponta do quadro, voltamos atrás e repetimos o gesto e a leitura. E é, então, isso que fazemos na nossa vida. Porque a Arte nos molda e nos prepara, nos transforma e nos ensina. Porque nós não passamos de "macacos de imitação". Crescemos a imitar o que está à nossa volta e muito raramente podemos sair desse ciclo. Burro velho não aprende línguas.
Nada. Nada de diferente. As mesmas coisas, a mesma chuva. O mesmo cenário. As mesmas músicas, as mesmas casas, os mesmo livros. E no entanto...
Os sonhos não são os mesmos. Os olhares mudam. A mente desiquilibra-se, recupera e foge. De repente, algo vem e muda tudo. Um vislumbre. Pode ser isto. A beleza atrai-me, puxa-me, diz-me "isto é o que tu precisas". Mas não é. Nunca é. E depois vem outro, e outro. E nunca são. Porque o que eu quero não existe. Qual é o preço a pagar pelos nossos princípios? Até onde me levarão eles? Para uma vida arruinada e infrutífera? Ou serão eles a única coisa que me manterá vivo, melhor, a razão pela qual me mantenho acordado, à tona? E de que preciso eu, pergunto-me? De facto, perguntamo-nos todos. Mas isto a mim, especificamente, preocupa-me. Sempre disse que sabia o que queria. Nas pessoas, no que estudo, no que faço. E no entanto, nunca é isso. Digo sempre que os meus princípios não são apenas caprichos, e que de facto trabalho por algo melhor. Que dedicaria a minha vida a isso. Que coisa absurda.
Dedicar a vida a princípios... Ridículo! Que diferença posso eu fazer? Se nem sequer eu sei o que quero para a minha vida, como posso desenhar a dos outros? E quem me dá esse direito? Bom, na verdade há sempre alguém que tem de o fazer e todos nós achamos que devemos ser nós porque, na verdade, não temos confiança em ninguém para a deixarmos fazê-lo. Mas, como saber que é o que pensamos que está correcto? Quem me diz que daqui a 200 anos não se chegará à conclusão de que os Futuristas e o Movimento Moderno, ou o G. W. Bush, o Hitler e o Estaline, foram a melhor coisa que podia ter acontecido à humanidade? E como explicar à humanidade o que é melhor para ela? Ela só parece interessar-se pelo seu bem estar imediato, pelos próximos 5 minutos. Não interessam os filhos e muito menos os netos, não interessam o vizinho e os compatriotas.
E de facto, não interessa tudo o que transcender os próximos 5 minutos. Que interessa a política? Ela não faz nada que se veja? E a Arte? Enquanto não me der de comer, não me diz respeito. O que interessa é aquilo que eu possa discutir em 5 minutos, acabar o assunto e entrar num novo. Tudo o que demorar mais que isso não interessa, dá muito trabalho... Porque de facto, aquilo que hoje em dia se pensa é que o que existe é o que se vê, e tudo o que demore mais de 5 minutos já não conseguimos ver, não conseguimos ligar uma consequência àquilo que a despoletou.
A aceleração do tempo... Pode ter começado (ou isso terá, porventura, sido um resultado dessa mesma aceleração) quando os futuristas proclamam que a Arte deve passar a representar não a estaticidade de um momento no mundo dinâmico, mas o dinamismo em si mesmo. Que absurdo!
Por aqui vê-se rapidamente o declínio em que se caíu. A Arte é, de facto, algo que se mantém em suspenso no tempo e que, através da sua beleza e atractividade, nos puxa e nos pára também, nos protege da passagem do tempo e, melhor ainda, nos regenera, nos deixa jovens e cheios de vitalidade, mesmo que a sua mensagem seja de absoluta tristeza. Ela deixa-nos vivos! Porque a Arte nos molda e nos prepara, nos transforma e nos ensina. E se a Arte (ou o que lemos como Arte) é movimento, então tudo é movimento. As mensagens rápidas, o "comer" de letras na comunicação, as paixões de meia-dúzia de dias... Porque, se encurtamos a nossa fala, metade do que queremos dizer perde-se, ainda que o significado seja o mesmo. Porque se encurtamos relacionamentos, o que de melhor existe neles perde-se também, ainda que a paixão e os sentimentos tenham a mesma intensidade.
Se, quando olhamos para um quadro futurista, percebemos perfeitamente o seu movimento, vemos de facto uma menina a correr, também vemos o seu fim, o sítio onde termina a acção. E quando chegamos à outra ponta do quadro, voltamos atrás e repetimos o gesto e a leitura. E é, então, isso que fazemos na nossa vida. Porque a Arte nos molda e nos prepara, nos transforma e nos ensina. Porque nós não passamos de "macacos de imitação". Crescemos a imitar o que está à nossa volta e muito raramente podemos sair desse ciclo. Burro velho não aprende línguas.
Nada. Nada de diferente. As mesmas coisas, a mesma chuva. O mesmo cenário. As mesmas músicas, as mesmas casas, os mesmo livros. E no entanto...
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