30 de novembro de 2007

Manter sentimentos guardados sempre foi um problema para mim. Mais ainda quando te sinto tão próximo, quando trocamos olhares adolescentes, quando nos rimos juntos, quando ficamos mais confortáveis só por estarmos na presença um do outro. Há algo de muito errado, mas também de muito certo, quando tu me pegas na mão e eu deixo-me guiar, de olhos fechados, sem pensar, sem perguntar porquê. Mesmo quando essa mão não é apenas tua, mesmo quando esse gesto é apenas um reflexo do teu coração enorme. O medo constante de dizer as palavras correctas prende-me a um sentimento que eu não consigo compreender, que me imobiliza e me deixa na melancolia quando não consigo provar o porquê. Preciso, sempre, de provar o porquê.
Apareceste na minha vida sem que eu te chamasse e entraste tão depressa quanto suavemente. Apareceste e eu tenho medo de te abraçar com demasiada força, tenho medo de te abraçar com pouca força. Tenho medo de libertar o que guardas, o que escondes, o que é tão belo por fora como por dentro. Há coisas que têm tal significado e beleza, que sempre as manterei comigo. Há coisas que me fascinam e que depressa se esbatem. Por favor, não sejas apenas fascínio.

18 de novembro de 2007

Ontem, o cansaço e o frio já me pesavam e, no entanto, ali continuava eu à procura, sempre à procura, de uma maneira de chegar um pouco mais próximo de ti. Para que, pela primeira vez, eu possa sentir o que há muito existe nos meus sonhos. Para que eu encontre as tréguas do cansaço que se estabeleceu em mim. Porque é isso que acontece, ainda que fugazmente, quando te vejo. É por isso que o meu olhar te busca incessantemente quando sinto que podes estar perto. É por isso que a minha mente procura refúgio nas tuas memórias quando não estás. E, então, eu busco, sempre busco, por uma forma de me chegar a ti, de poder, finalmente, sentir o calor por detrás de um corpo frio, um calor que raramente se mostra, ainda que, quando o faz, é esmagador. Mas, enquanto os dias se tornam mais frios e mais escuros, mais, sempre mais, cada vez mais distante te encontras. Mais, sempre mais, cada vez mais fracos se tornam os teus contornos. E quando eu começar a sentir a dor do gelo do Inverno, então, já cá não estarás.

13 de novembro de 2007

Dilatação do tempo

Teoria da Relatividade:
Foi Einstein o primeiro a prever este fenómeno da dilatação do tempo. Na teoria que desenvolveu sobre a relatividade, entre 1905 e 1916, a medição do espaço e do tempo é relativa e não absoluta, uma vez que o espaço e o tempo dependem directamente do estado de movimento do observador: quanto mais rápido se deslocar um objecto, mais lentamente passa o tempo para a pessoa ou objecto que esteja dentro do mesmo.Esta teoria pretendia inicialmente explicar as lacunas no conceito de movimento relativo. Mas, com o desenvolvimento da investigação, tornou-se numa das teorias básicas mais importantes na história das ciências físicas. Esta serviu de base para que os físicos demonstrassem as unidades de matéria e energia, espaço e tempo, e a equivalência entre as forças de gravitação e os efeitos de aceleração de um sistema. Para Albert Einstein os corpos produzem em seu redor uma curvatura do espaço. Assim, quanto maior foi a massa do corpo maior será a sua curvatura. Como consequência, um outro objecto será atraído para esse grande corpo, não por causa da sua gravidade mas porque simplesmente segue o caminho, que, por ser curvo, o levará até esse destino.

Dilatação do tempo:
Mas o que é exactamente o fenómeno da dilatação do tempo? Previsto na teoria da relatividade, este fenómeno prende-se com o facto de objectos ou mesmo pessoas sofrerem o efeito da dilatação do tempo de acordo com a velocidade a que estão sujeitos. Assim, o tempo para um objecto ou um indivíduo que esteja dentro de um outro objecto, que se desloque a alta velocidade, passa mais lentamente do que se estivesse num objecto que se desloque a uma velocidade mais baixa.Uma das experiências mentais mais conhecidas é o "paradoxo dos gémeos", em que se um dos gémeos viajar no espaço, onde se atingem velocidades muito altas, quando regressar à terra estará mais jovem que o irmão, em tudo idêntico a si.

Para provar esta teoria, o grupo de investigadores, liderados por Sasha Reinhardt, do Instituto Max Planck, na Alemanha, utilizou dois átomos, em que um atingiu 6,3% e o outro 3% da velocidade da luz. A partir daqui, os cientistas conseguiram identificar a idade dos átomos com uma precisão nunca antes vista. Para isso usaram uma técnica pioneira que se baseia na utilização de um laser. Esta foi desenvolvida pelo alemão Theodor Hänsch, que também faz parte da equipa de investigação, e que ganhou, em 1995, o Prémio Nobel da Física.

Para medir a dilatação do tempo, os cientistas usavam, até agora, o sistema de posicionamento global, mais conhecido por GPS, através de satélite. No entanto, um grupo de cientistas, britânicos e alemães, desenvolveu um estudo em que, através da utilização de relógios atómicos ópticos, é possível calcular com uma precisão nunca antes vista a dilatação do tempo. Este estudo considera que o sistema de GPS poderá vir a ser ultrapassado, uma vez que os relógios atómicos ópticos mostraram ser mais eficazes que o antecessor. Aliás, o relógio atómico é sem dúvida o relógio mais preciso de todos, uma vez que mede o tempo em 16 dígitos, ultrapassando em muito os relógios convencionais, com apenas seis dígitos, e os cronómetros com nove dígitos. Pela sua precisão, este é o auxiliar ideal para comprovar a teoria desenvolvida por Einstein.

11 de novembro de 2007

Sobre as quotas de música portuguesa na rádio

Com a implantação da Lei da Rádio, as rádios são obrigadas a que 25% da música que transmitem seja portuguesa. As excepções são feitas para algumas rádios temáticas que, devido à sua programação, possam não ter música portuguesa suficiente (caso das rádios de música clássica, por exemplo); e para as rádios estaduais, que terão de passar 40% de música portuguesa.
Pessoalmente, preferiria que não fosse necessário implementar esta lei, mas vejo-a como um mal necessário. Só o facto de haver a necessidade de se criar esta lei indica bem o estado de calamidade a que se chegou.
A música portuguesa emitida deve incluir 35% de novidades (com menos de 12 meses) e 60% de "música composta ou interpretada em língua portuguesa por cidadãos dos Estados-membros da União Europeia". Agora, o que é que se entende com "música composta ou interpretada em língua portuguesa por cidadãos dos Estados-membros da União Europeia"? Se a Nelly Furtado cantar em português, isso é música portuguesa? E se o David Fonseca cantar em inglês isso já não é música portuguesa? Este será um ponto que tem de ser revisto.
Há quem diga que não há produção suficiente de música portuguesa para preencher estes 25%. Isto é completamente falso, uma vez que já existem rádios que cuprem estes requisitos. Como exemplo, a Rádio Cidade (ou Cidade FM) diz que não conseguirá passar 25% de música portuguesa, porque não existe música portuguesa que se adeque ao seu programa... Da última vez que vi, o programa da Cidade era transmitir música para os jovens... Ora, eu sou jovem e mais de 25% da música que ouço é portuguesa. Vamos lá a ser correctos e a cumprir as leis, senhores directores das Rádios nacionais, não vamos dizer estas coisas apenas para justificar os conteúdos mais "mainstream" ou comerciais. Como muito disse o músico Pedro Osório, há uma parte muita significativa da criação nacional, fora das malhas da pop, que nunca viu a luz do dia. E este tipo de produção está longe de ser escasso ou de fraca qualidade. Portanto, o que se conclui daqui é que o problema das rádios nacionais perante esta lei passa por outra coisa, a qual os seus directores não gostam de discutir. O grande problema, é que estas rádios estão entregues a homens de negócios, que não vêm nada senão a produção fácil de lucro, que por sua vez entregam a direcção a mentes tacanhas, completamente insensíveis à nossa música mais representativa, e que acabam por adoptar formatos comerciais e de "escoamento fácil".
Isto quer dizer que, mesmo com a implantação desta lei, o problema de grande parte dos nossos artistas mais talentosos não vai terminar, ficando esta percentagem de música portuguesa obrigatória entregue às morangadas e aos Emanuéis que deambulam por Portugal. A música portuguesa de grande qualidade que tem sido marginalizada vai, provavelmente, continuar a sê-lo e vamos continuar a ouvir os mesmos que já ouvíamos, mas em dose dupla, só para "tapar o buraco" na percentagem. Apesar disso, eu ainda tenho fé no povo português e assim que os directores vejam as audiências a descer após a 31ª repetição diária da música "Pequeno T2", se vejam obrigados a ir "desencantar" uma música dos Wraygunn, Fausto Bordalo Dias, Mandrágora,Mu, ou outros afins (e que boa música que nós temos para os senhores directores irem desencantar!). Pode ser que finalmente a música nacional obtenha o reconhecimento que lhe é merecido. Só nos resta esperar que sim.

9 de novembro de 2007

Pekka-Eric, Finlândia

Ele (são sempre eles) tinha 18 anos. Pekka-Eric Auvinen vivia na Finlândia, numa cidadezinha descrita como "pacata". Uma cidadezinha "pacata" cuja "pacatez" foi brutalmente interrompida por uma Sig Sauer de calibre 22, que fez 8 mortos e 20 feridos graves nos corredores de uma escola. Não foi só a cidadezinha que foi interrompida na sua tranquilidade, também um país inteiro, habituado à calma e à ordem acordou para esta situação: o Governo convoca uma assmbleia especial para debater o caso, os jornais, revistas e tvs vão esquadrinhar os hábitos, as influências, os gostos e tudo o que havia para saber sobre o tal rapaz. Um rapaz "pacato" e sorridente.
Pekka-Eric, antes de percorrer os corredores desta escola, decidiu expôr no Youtube (sempre no Youtube) onde contava os pormenores do seu acto futuro. Vamos, com certeza, voltar a ouvir as palavras "sou um cínico existencialista, anti-humano humanista, anti-social-darwinista e uma espécie de deus ateu",como se auto-denominava, e o dizer na T-shirt negra da imagem em que empunha a pistola: "Humanity is overrated". A humanidade pode ser sobrevalorizada, mas nunca podemos sobrevalorizar um Homem, uma vida.
Este "pacato" rapaz aclama a frase "ódio, estou cheio dele e adoro-o". Esta frase faz-nos lembrar as pessoas que conhecemos (e todos nós temos, pelo menos uma, na nossa vida) que tal como ele valorizam o culto do suícidio, o culto do negro e esta ideiaromântico-trágica sobre a humanidade. Mas estes milhões de pessoas como o Pekka-Eric não se tornaram no Pekka-Eric. Porquê? Porquê este inexplicável acto de um rapaz tão tranquilo? Precisamente por essa mesma tranquilidade, tranquilidade que se abate sobre nós e não nos deixa sequer sentir a culpa e a tristeza ao ver uma vida desaparecer perante nós. "Sou a lei, o juiz e o executor, não há maior autoridade que eu", sentenciou Pekka-Eric. Porquê? Como chegou a humanidade ao ponto de se tornar Toda-Poderosa? Precisamente, como Pekka-Eric diria, "humanity is overrated". Não há forma de remover estes actos da nossa memória, nem há forma de impedir que eles voltem a acontecer. A única coisa que podemos fazer é reflectir sobre isso e agir em concordância. Estas situações não podem servir só para dizer mal da música que o rapaz ouvia, dos livros que lia, da mãe, do pai, do gato, do país, do mundo. Estas situações têm de servir para que possamos agir sobre elas, usar toda a tristeza e indignação que advêm destas notícias e tentar mover o mundo, este mundo que permite que tais coisas aconteçam à humanidade. "Humanity is overrated". De quantos mais avisos precisamos para que deixe de ser?

O primeiro post.

Neste primeiro post deixo aqui a origem do nome do blog:

"False Flags", by Massive Attack

In city shoes
Of clueless blues
Pays the views
And no-mans news
Blades will fade from blood to sport
The heroin's cut these fuses short
Smokers rode a colonial pig
Drink and frame this pain i think
I'm melting silver poles my dear
You bleed your wings and then disappear
The moving scenes and pilot lights
Smithereens have got 'em scaling heights
Modern times come talk me down
And battle lines are drawn across this town
Parisian boys without your names
Ghetto stones instead of chains
Talk 'em down cause it's up in flames
And nothing's changed
Parisian boys without your names
Riot like 1968 again
The days of rage yeah nothing's changed
More pretty flames
In school i would just bite my tongue
And now your words they strike me down
The flags are false and they contradict
They point and click which wounds to lick
On avenues this christian breeze
Turns its heart to more needles please
Our eyes roll back and we beg for more
It frays this skin and then underscore
The case for war you spin and bleed
The cells you fill screensavers feed
The girls you breed the soaps that you write
The graceless charm of your gutter snipes
The moving scenes and suburbanites
And smithereens got 'em scaling heights
Modern times come talk me down
The battle lines are drawn across this town
English boys without your names
Ghetto stones instead of chains
Hearts and minds and U.S. planes
Nothing's changed
And english boys without your names
Riot like the 1980's again
The days of rage yeah nothing's changed
More pretty flames