9 de abril de 2008

Devaneios de um estudante de Arquitectura II

Já há muito que ando a prometer a mim mesmo escrever algo mais sobre o que tem dominado os pensamentos, aprofundando um pouco o que já tinha dito anteriormente. Aqui vai algo de aleatório. Começando pelo início:

Para mim, a raça humana tem um objectivo. Para mim esse objectivo será algo como a iluminação, o Nirvana, o estado de consciência total. Chamem-lhe o que quiserem. Eu chamo-lhe perfeição. E, para mim, quando a civilização atingir esse estado, ela chegará ao seu fim. Terminará. Não sei se num instante, se ao longo de vários anos ou gerações, mas parece-me ser o final lógico. Com o objectivo concluído não há necessidade de continuação e, logo, a reprodução deixaria de ter sentido, pois nunca necessitaríamos que os nossos filhos continuassem a nossa obra, por assim dizer. Esta ideia é algo limitada, mas de momento ainda não consigo fundamentar mais.

Contudo, isto não quer dizer que o Homem atinja de facto o seu objectivo. Penso que nos cabe a nós tentar conduzir a civilização a esse objectivo pelo caminho que considerarmos mais correcto. É óbvio que ninguém sabe o que de facto está certo ou errado, mas podemos sempre fazer o que consideramos ser melhor. Este é o nosso dever.

Aqui a Arte parece-me ter um papel importantíssimo. Para mim, é a Arte com a qual entramos em contacto que nos vai desenhar como pessoas, que nos ensina a relacionarmo-nos com os outros e com o mundo. Podemos ver que as pessoas com menos contacto com a Arte são as que têm mais dificuldade em relacionar-se com o resto do mundo e, pior ainda, não sabem distinguir o bem do mal. Penso que isto não seja coincidência e que o défice de valores causado pelo distanciamente em relação à arte possa estar na génese deste problema. Os valores destas pessoas são transmitidos pelas suas famílias ou comunidades, que, por sua vez, não tiveram acesso às Artes. Este ciclo vicioso tem de acabar, pelo bem da humanidade. "A salvação está nos proles".

É nosso dever lutar por uma sociedade iluminada. Aqui penso que a tecnologia vai desempenhar um papel importante, ocupando-se das tarefas que não necessitam de ser feitas pela mão humana. Contudo esta tecnologia tem de ser usada de uma forma ponderada. Penso que um dos grandes problemas do nosos tempo seja esta liberdade oferecida de bandeja pela tecnologia. Ela oferece-nos uma espécie de máscara que nos deixa fazer quase tudo sem que sejamos repreendidos ou observados. Isto vai ter grandes implicações ao nível da consciência. Outro problema que esta tecnologia tem provocado nas pessoas é a absoluta dependência que temos nela. Ao invés de ajudar o Homem a tornar-se mais livre, mais solto, para se encarregar das coisas que realmente interessam, através da sua estética, da sua simplicidade, do seu entretenimento, ela torna-nos absolutamente viciados, vegetifica-nos. Dá-nos tudo sem que precisemos de pensar, e o nosso cérebro não se desenvolve de uma forma saudável. Além disso, a tecnologia está na mão de pessoas limitadas que apenas pensam no seu próprio benefício, que trabalham para vender e que dão às massas aquilo que elas querem. Pelo que já referi antes, este não é, por vezes, o caminho a seguir. Ainda um último problema, e, possivelmente, o pior, uma vez que pode estar na génese de todos os outros: a desumanização das acções e dos objectos, a industrialização, o carro, o MSN, todas essas coisas que nos impedem de comunicar com o mundo e com os outros de uma forma tradicional e humana. Não me parece, de facto, que estejamos no bom caminho e não sei se alguma vez conseguiremos dar a volta a isto. Infelizmente.

Apenas mais um devaneio:
Aqueles que me conhecem sabem que acredito em alguns ideais comunistas. Acredito na utopia comunista. Acredito que é possível (e necessário) criar uma sociedade sem dinheiro, sem capital, sem propriedade de qualquer tipo, onde o homem trabalha para se cultivar física, espiritual e intelectualmente, e não para obter bens materiais ou poder. Estas coisas servem apenas a felicidade fútil, superficial, de algumas mentes tacanhas que, infelizmente, influenciaram e poluíram o mundo e que, hoje em dia, o dominam. As experiências socialistas tentaram ser um intermediário entre a nossa sociedade actual e essa sociedade ideal. Infelizmente, e como todos sabemos, falharam redondamente. Estas experiências não foram conduzida das melhor forma e, sem dúvida, não o foram pelas pessoas correctas. Penso que é possível comparar esta degradação de valores com algo que se tem passado com a Igreja: apenas os Homens são capazes de destruir algo de "divino", degradando e destruindo todos os ideais que alguns homens iluminados se esforçaram por construir. Ainda assim, penso que seja possível atingir esse patamar, tão necessário para que possamos atingir o nosso objectivo último.

Estes são os devaneios de um estudante de Arquitectura.

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