Enquanto o meu corpo caminhava, a minha cabeça fugiu para outro lado. O som dos passos desvaneceu-se aos poucos, as pessoas, a rua, os carros, tudo saiu daquele sítio, deixando-me só. Mas não completamente só. Há sempre algo que nada me retira, que nada subtrai. O fascínio. O fascínio por ti. A maravilha pelo que possuis que tanto me atrai não me abandona, não me deixa em paz quando tanto preciso dela. O rubor que aparece na minha face ao percorrer o teu corpo que não vejo, o teu corpo que não toco, com a minha imaginação, trai constantemente as minhas convicções de que o que sinto não passa de um fruto da minha mente criativa. Porque nunca como agora eu quero com tanta convicção que tudo não passe de um pensamento. Porque me sinto doente, cansado. Desiludido. Comigo. Contigo. Com tudo e com todos. Porque não é a minha voz que queres ouvir. Porque ninguém é capaz de dizer o que se passa, ninguém tem forma de explicar. Porque eu não sei como to dizer sem o dizer. Porque eu não sei gritar. Porque eu não sei sussurrar ao teu ouvido. Porque eu não sei como gritar, ao mesmo tempo sussurrando ao teu ouvido as palavras que queres ouvir.
"(...)
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum dêles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
E o resultado?
(...) "
Álvaro de Campos
9 de fevereiro de 2008
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